quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Educar além do currículo...



O currículo é o que determina, nas escolas, o caminho a seguir. Nele estão descritas as habilidades e competências por disciplina, os conteúdos que serão trabalhados durante a série/ano, os conceitos estruturantes e a operacionalização, ou seja, as estratégias de ensino. O modo como o professor conduzirá tais aspectos é que norteará não só a aprendizagem, mas demonstrará a sua postura diante dos fatos e conteúdos.
Na escola onde trabalho, observo que há posturas distintas em relação ao desenvolvimento do processo educativo. Muitos professores trabalham como meros transmissores de conteúdo, não extrapolando de maneira nenhuma o que está descrito e previsto no currículo. Baseiam-se na memorização e na busca de respostas exatamente como está no livro didático – o qual não é nem neutro, nem inocente – não há discussão, abertura para novas possibilidades, não há contestação e nem são ouvidas prováveis opiniões. O que acontece diante disso? A demonstração de que quem manda é o professor, que detém a “verdadeira verdade”, cabe aos discentes ouvir, assimilar, reproduzir tal e qual e ponto final. Sem voz e sem vez, seres passivos e submissos, meros espectadores.
Em contrapartida, há os professores que vão muito além dos conteúdos e metodologias previstas. Estabelecem redes de conhecimentos, relacionam os assuntos com a realidade, despertam a criticidade, a curiosidade e a pesquisa, os fazem refletir sobre a sociedade e o contexto onde vivem e estão inseridos. Exploram e extrapolam um assunto de forma que a temática posse ser analisada de vários ângulos diferentes (sem que haja somente uma “certa, verdadeira”).
Quem ganha com um profissional como o último exemplificado? Ora, todos!!! Os alunos, a escola, a educação e a sociedade, pois assim eleva-se o nível cultural e intelectual das pessoas, que assumem um papel ativo.O que torna possível uma mudança de grandes proporções sociais.

Eu, em minhas aulas de Língua Portuguesa, procuro ouvir, questionar, levantar hipóteses, reflexões, principalmente porque ao trabalhar com Literatura, textos jornalísticos, charges, poesia,... um leque de alternativas muito grande surge e se abre diante dos meus educandos e do meu “ver o mundo”. A atualidade que ora se apresenta, já evoluiu bastante quanto à metodologia, visão de ensino, “aprender a aprender”, postura de professor/orientador, porém tem-se consciência de que muito ainda é preciso ser feito. Uma revolução cultural e social inicia pela educação. Esse é o papel do mediador: auxiliar no desenvolvimento intelectual das pessoas em processos educacionais.

REPENSANDO A AVALIAÇÃO ESCOLAR.


A avaliação escolar está, infeliz e lamentavelmente, muito aquém do objetivo a que se destina e a que se propõe (ou ao menos deveria). Ela não deve ser excludente, nem fadada a mero instrumento classificatório, mas  sim ser um meio para diagnosticar deficiências e lacunas, as quais devem ser sanadas. Não é definitiva, pois implica uma ação seguida de nova avaliação para verificar as mudanças implementadas, ou seja, se não foram "obtidos" os efeitos desejados, deve ser alterada, aperfeiçoada, modificada a metodologia a fim de que, de outro jeito, se efetive a aprendizagem. Assim podemos afirmar que a avaliação é retrospectiva, mas voltada para o futuro, pois é a partir dela que o fazer do professor deverá ser repensado.
                      O que de fato deve ser feito?
                      Como o texto lido sugere, o fazer do aluno deve ser avaliado sempre, não apenas no dia da prova -  o que no meu entendimento remete ao Ensino Bancário: depositei, agora vou ver no extrato se efetivamente está lá. Alguns questionamentos se fazem necessários:
O aluno participa das aulas ou é mero espectador?
Expõe suas dúvidas, entendimentos e sugestões?
Evidenciou avanço com relação ao ontem?
E os instrumentos avaliativos do professor, privilegiam sempre os mesmos aspectos, competências e habilidades?
Suas propostas têm objetivos claros e previamente determinados?
                       São vários os aspectos que obrigatoriamente devem ser levados em conta, para que tenhamos, efetivamente, uma forma de avaliar que não favoreça a decoreba, mas sim o aprender de verdade. Claro que tudo isso requer mais trabalho e um olhar ainda mais atento do professor, todavia é dessa forma que haverá menos injustiças e o aluno será analisado integral e continuamente. A avaliação não pode ser estanque, assim como não o é o ato de aprender.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Entendendo a "transferência"

A transferência é um fenômeno analisado e "instituído" pelo psicanalista Sigmund Freud,  que ocorre na relação paciente/terapeuta (professor/aluno), onde o desejo do paciente irá se apresentar atualizado, com uma repetição dos modelos infantis, as figuras parentais e seus substitutos serão transpostas para o analista(professor), e assim sentimentos, desejos, impressões dos primeiros vínculos afetivos serão vivenciados e sentidos na atualidade.
Essas e outras “informações” me foram muito úteis e esclarecedoras, pois assim foi possível entender o comportamento – hostil, carinhoso, de amor, de ódio, de afronta,... – de determinados alunos para conosco, seus professores.
Acredito ser muito válido o estudo da psicologia e suas repercussões no campo educacional, pois dessa forma é possível, se não modificar, ao menos entender a postura de alguns educandos.
Inúmeras vezes ouvi colegas meus dizendo que “aquele menino me odeia”, ou então: “essa menina disse que gostaria que eu fosse sua mãe, vive me dando presentinhos, me beijando e me abraçando”... Com tais estudos dá para entender um pouco mais sobre esses fatores e acontecimentos.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Criança + brincar: Infância



Foi a partir da Idade Moderna que as crianças passaram a ser vistas como um ser social, assumindo um papel central nas relações familiares e na sociedade, tornando-se um ser de respeito, com características e necessidades próprias. É durante o processo de aquisição do conhecimento que ela deve ser vista como um ser pleno, cabendo a ação pedagógica reconhecer suas diferenças e construir sua identidade pessoal. Para isso, é preciso pensar em formas ludicas e criativas que possam estimular a criatividade e a imaginação da criança.
É através do lúdico que podemos fazer isso, pois é através da brincadeira que a criança passa a conhecer a si mesma e o mundo que faz parte. Brincar caracteriza a educação infantil, afinal é brincando que a criança conhece a si e ao mundo. O brinquedo ajuda na assimilação das regras de convivência e de comportamento. Outra preocupação que surge na modernidade é com relação aos estágios do desenvolvimento da criança. Tais como:
  • Sensório motor- caracterizado pela ausência da função semiótica em que a criança não tem a capacidade de representar mentalmente os objetos.
  • Pré-operacional- a criança não adiquiriu ainda a capacidade de colocar-se no lugar do outro, não possuindo o pensamento da irreversiblidade.
  • Operatório concreto- é um nível mental em que o indivíduo intervém nos raciocínios privados e nas trocas cognitivas. A linguagem passa a ser fundamental nesse processo.
  • Operatório formal- nesse estágio a criança já pensa em soluções através de hipóteses e não apenas observando a realidade. É nesse estágio que ela atinge o padrão intelectual que terá na idade adulta.

O desenvolvimento e o processo de aprendizagem estão ligados ao meio social em que a criança vive e tem acesso aos materiais culturais. E é na escola que ela vivenciará trocas de experiências e aprendizagem ricas em afetividade e descobertas.

sábado, 14 de novembro de 2015

INFÂNCIA EROTIZADA


Vemos e presenciamos diariamente cenas e imagens de crianças em anúncios publicitários 
vestidas e paramentadas como adultos. São roupas, trejeitos e posturas que não condizem com 
a faixa etária dos "modelos". A isso podemos denominar de "erotização da infância". 
Por outro lado, ouvimos notícias, leis e cuidados em prol da infância, 
a fim de que as mesmas não sejam vítimas de pedofilia, maus tratos e abusos.
Mas aí eu pergunto: Não é um abuso a maneira como estão sendo expostas pela mídia?


Fico surpresa com essa contradição e mudança de postura tão oposta em relação 
a uma e outra situação.
São mães que vestem suas filhas de 3, 4, 5, 6 ou mais anos como se fossem 
dançarinas de funk, modelos em passarelas,
 mulheres adultas em dia de festa - com maquiagem e cabelo feito. 

Trabalhando em escola e acompanhando o desenvolvimento e crescimento de muitas crianças e adolescentes, já vivenciei situações em que as mães apoiavam e achavam lindo ver as suas
 filhinhas dançando a coreografia de uma música extremamente apelativa, 
erótica e vulgar. Comprar sapatos de salto, saia curta, batom e blush às filhas que frequentavam a Educação Infantil!?
Com o passar do tempo, claro que não é regra, mas muitas delas apareciam grávidas
precocemente, namorando "sério" aos 12 anos, 
morando junto com o namorido aos 14,... e as suas progenitoras lamentando-se 
e questionando-se: "ONDE FOI QUE EU ERREI?"

Penso,enquanto mãe, mulher e educadora, que é necessário - se não cortar pela raiz, já que se trata de uma situação ampla e complexa - evitar ao máximo possível esse tipo de comportamento.
Escolher, com cautela e cuidado, que tipo de vestimentas nossas meninas devem usar.
Batom vermelho será o ideal?
Unhas feitas em salões de beleza será o ideal para uma menininha de 7 anos?
Meia-calça arrastão, com saia jeans será o modelito adequado para ir
a uma apresentação de encerramento de ano letivo da escola onde estuda?

Algumas situações demandam de uma atenção redobrada dos familiares
e educadores. Aqui vale lembrar do velho e sábio ditado popular: 
"a gente só colhe aquilo que planta".

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A instituição ESCOLA!!!

A escola é um local onde muitas identidades se cruzam, se encontram e compartilham do mesmo espaço. É um local de aprendizagens, estejam elas previstas no currículo ou não. É onde as pessoas acabam por conhecer-se e, em consequência desses relacionamentos, muitas delas criam vínculos de amizades que seguem vida à fora (ou à dentro).

A escola é muita coisa. 

É o local onde as diferenças e desavenças ficam à mostra. As intrigas entre famílias acaba por se tornar aberta ao público. É onde muitas descobertas são realizadas: orientação sexual, deficiências auditivas e/ou visuais, inteligências acentuadas, desvios de conduta, criatividade além da conta,... enfim, é um lugar privilegiado a todos os que a frequentam e dela são parte integrante. 

É sabido por todos (ou ao menos deveria ser), que as instituições escolares, assim como tudo na vida, também passam por transformações - sejam elas curriculares, comportamentais, estruturais e financeiras. Antigamente, por exemplo, o professor era autoridade máxima, figura que deveria ser extremamente respeitada. Hoje, a realidade é outra, o professor é um orientador, um amigo, uma pessoa disposta a auxiliar e - eventualmente e infelizmente - um vítima. As tecnologias, já fazem parte do cotidiano. As disciplinas, mudam conforme a necessidade. Os muros e grades continuam a subir, circundando os prédios e os que ele "habitam"...

E como diz a letra de uma música "...assim caminha a humanidade..."

Cabe aos envolvidos com a missão educacional, continuar estudando, aperfeiçoando-se e metamorfoseando-se...