O currículo é o que determina, nas
escolas, o caminho a seguir. Nele estão descritas as habilidades e competências
por disciplina, os conteúdos que serão trabalhados durante a série/ano, os
conceitos estruturantes e a operacionalização, ou seja, as estratégias de
ensino. O modo como o professor conduzirá tais aspectos é que norteará não só a
aprendizagem, mas demonstrará a sua postura diante dos fatos e conteúdos.
Na escola onde trabalho, observo que
há posturas distintas em relação ao desenvolvimento do processo educativo.
Muitos professores trabalham como meros transmissores de conteúdo, não
extrapolando de maneira nenhuma o que está descrito e previsto no currículo.
Baseiam-se na memorização e na busca de respostas exatamente como está no livro
didático – o qual não é nem neutro, nem inocente – não há discussão, abertura
para novas possibilidades, não há contestação e nem são ouvidas prováveis
opiniões. O que acontece diante disso? A demonstração de que quem manda é o
professor, que detém a “verdadeira verdade”, cabe aos discentes ouvir,
assimilar, reproduzir tal e qual e ponto final. Sem voz e sem vez, seres
passivos e submissos, meros espectadores.
Em contrapartida, há os professores
que vão muito além dos conteúdos e metodologias previstas. Estabelecem redes de
conhecimentos, relacionam os assuntos com a realidade, despertam a criticidade,
a curiosidade e a pesquisa, os fazem refletir sobre a sociedade e o contexto
onde vivem e estão inseridos. Exploram e extrapolam um assunto de forma que a
temática posse ser analisada de vários ângulos diferentes (sem que haja somente
uma “certa, verdadeira”).
Quem ganha com um profissional como o
último exemplificado? Ora, todos!!! Os alunos, a escola, a educação e a
sociedade, pois assim eleva-se o nível cultural e intelectual das pessoas, que
assumem um papel ativo.O que torna possível uma mudança de grandes proporções
sociais.
Eu, em minhas aulas de Língua
Portuguesa, procuro ouvir, questionar, levantar hipóteses, reflexões,
principalmente porque ao trabalhar com Literatura, textos jornalísticos,
charges, poesia,... um leque de alternativas muito grande surge e se abre
diante dos meus educandos e do meu “ver o mundo”. A atualidade que ora se
apresenta, já evoluiu bastante quanto à metodologia, visão de ensino, “aprender
a aprender”, postura de professor/orientador, porém tem-se consciência de que
muito ainda é preciso ser feito. Uma revolução cultural e social inicia pela
educação. Esse é o papel do mediador: auxiliar no desenvolvimento intelectual
das pessoas em processos educacionais.



