sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Participação no XIII Salão de Ensino da UFRGS


Nesta semana, aconteceu algo super legal na minha vida, tanto pessoal, como profissional e acadêmica: participei da XIII Salão do Ensino da UFRGS. 
Foi uma participação tímida, incipiente, embrionária, mas não deixou de se uma PARTICIPAÇÃO. 
Tudo teve início com a proposta de um trabalho na interdisciplina de Psicologia da Vida Adulta, coordenada pela professora Tânia Marques. O assunto sobre o qual pesquisamos foi: "A percepção do tempo na vida adulta". Nosso grupo era formado por: Franciele Barille, Franciele Rui, Tamara Scottá e eu. 
 Depois disso, nossa querida tutora Taís Barboza nos incentivou a realizar a inscrição. Pois bem assim o fizemos. 
Resultado: nosso trabalho foi selecionado e a data estava marcada: 18/10/2017. 
Eu fui "escolhida" para apresentá-lo!
Adorei!!! 
Sair do nosso mundinho nos desacomoda, nos estimula e nos instiga a continuar estudando, ampliando horizontes e indo além. 
Tenho e temos a consciência de que precisamos nos aperfeiçoar em nosso fazer acadêmico, mas o fato de estar lá, dividindo e multiplicando saberes e experiências, certamente foi muito válido.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A luta continua!

Primeira versão do roteiro para o vídeo que será produzido por nós, Franciele Rui, Franciele Barille, Tamara Scotá, Andria Tura e eu,  a fim de evidenciar as possíveis conversas com os textos e o material estudado na interdisciplina e a realidade que nos cerca com histórias dramáticas, lições de vida e a crueldade que muitas pessoas tiveram de enfrentar (e ainda enfrentam) devido ao preconceito e discriminação. 


Como já mencionado acima, nosso grupo é composto por cinco integrantes. Nossa história estava diante dos olhos de uma dessas componentes: a Franciele Rui, colega da protagonista  de nossa história, em uma das escolas onde leciona. A jovem senhora de iniciais D.M., 39 anos, não quer ter seu rosto revelado. A razão? Desconhecemos, mas a respeitaremos sem dúvida. D.M. é  uma pessoa do sexo feminino, heterossexual, parda, evangélica, casada, residente e domiciliada na cidade de Cotiporã, RS. Tem quatro filhos, é professora, atualmente cursa Direito e não conta com nenhum desses corpinhos esculturais que frequentemente estampam lindas capas de revista. Bem, mas vamos ao roteiro.

Título: A luta continua

Primeira versão: Seu nome é Marlove. Desde cedo, o preconceito a perseguiu. Nasceu parda, numa cidade interiorana do Rio Grande do Sul, povoada por não mais de 4 mil habitantes, sendo a grande maioria formada por imigrantes italianos, brancos como o leite, cabelos claros e predominantemente católicos. Ela, evangélica, por opção e convicção.
Certo dia, cansada do marasmo que a cercava, decidiu mudar a sua trajetória já pré-determinada por alguns. Então, ao completar 18 anos, foi a São Paulo a fim de estudar. As más línguas não pouparam comentários e, propagaram aos quatro ventos que iria tentar vida fácil. Retornou alguns anos depois, portando consigo um diploma de Licenciatura Plena em Matemática, disposta e pronta a ganhar a vida de uma maneira mais difícil: SENDO PROFESSORA. Casou-se aos 29 anos e pôs-se a ter filhos: um, dois, três, quatro. Sim! Pessoas “dessa cor” gostam de famílias numerosas, crianças correndo, bagunça pela casa.
Contava com diversos atributos que a crucificavam.
Hoje, no auge de seus 39 anos, frases ditas por pessoas que a rodeavam, ainda povoam seus pensamentos:
“...você nunca será ALGUÉM na vida”
“...você não é capaz!”
Entretanto, e apesar de tudo, ainda tem objetivos. Cursa agora Direito, talvez para suprir um “buraco” que ainda existe dentro dela. Sua luta continua, pois acima de qualquer coisa, é mãe, e sabe que não conseguirá proteger os seus filhos das atrocidades da vida.

A sociedade mudou? Talvez.
As oportunidades são iguais para todos? Não
Mas a sua luta, ah! Essa sim continua dentro e fora dela.

Fragmento do livro: “A garota no trem” de Paula Hawkins

“...os buracos na vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvores ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas.”

Sobre crocodilos e avestruzes!


Muito tenho pensado sobre a inclusão na rede regular de ensino e, não posso negar, me vejo muitas vezes em encruzilhadas.

Sou professora de uma garota de 13 anos, que nasceu com uma deficiência (órgão): não tem o antebraço e a mão direita. Deve contar com eventuais incapacidades (pessoa), mas não consigo citar nenhuma desvantagem no meio social onde está inserida. Sempre estudou na mesma escola. Jamais foi vitimizada, nem pela família, tampouco por colegas e professores. Ela se “vira” sozinha. Em hipótese alguma os familiares pediram proteção extra ou cuidados especiais. O respeito em sala de aula é unânime e fora dela também. É autônoma, independente, caprichosa, vaidosa, rebelde, ou seja, é uma típica adolescente (e por que não haveria de ser?????).

A partir desse exemplo, e após a leitura do texto: “Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação” de autoria de Lígia Assumpção Amaral, constatei que ajudamos sim a propagar alguns mitos: o do vitimismo, do coitadismo, da incapacidade total, da compaixão,... Generalizamos, por vezes, a restrição enfrentada por alguns seres. Deixamos de enfatizar do que ela é capaz de fazer. Alguns mecanismos de defesa entram em ação com a intenção  - ou não, num processo inconsciente – de diminuir o “problema” com o qual nos deparamos: negação, compensação, atenuação, simulação,... como se isso fosse capaz de acabar com aquilo.
Aí fica a questão: O que posso fazer?

Bem, creio que o exemplo exposto no final do texto: “Café com leite” elucida muito essa questão. Já se sabe que negar uma situação, não acaba com ela. Ignorá-la também não. Então acredito que o que deve ser feito é oportunizar a essas pessoas o direito de fazer o que podem, o que conseguem, dentro das suas limitações.  A criança/adolescente/adulto com deficiência, não pode ser visto como “menos ou pior”, mas sim como ele é: DIFERENTE. Fará o que pode, o que consegue fazer, o que é capaz. Isolá-lo, torná-lo mero espectador não é inclusão, não com o sentido que tenho internalizado em mim.
Fui uma péssima aluna de Matemática, tenho, ainda hoje, grandes dificuldades com cálculos, expressões numéricas, álgebras,... Sempre fiz o que consegui, o que eu era capaz. Após um determinado tempo, pude escolher o caminho, o qual praticamente abstraiu essa disciplina da minha vida. Agora fico pensando – hipoteticamente – o que teria provocado em mim um isolamento dessas aulas? É claro que este exemplo serve meramente para ilustrar (talvez sem muito nexo) que: cada um deve ter a oportunidade de ressaltar os seus talentos e não ser apontado pelas suas fraquezas, incapacidades.

Penso que devemos refletir sobre isso: não imitar o avestruz, enfiando a cabeça debaixo da terra a fim de não encarar a situação, mas sim enfrentá-la e buscar o melhor meio de resolvê-la. Como?  Incluindo, ressaltando as habilidades, agindo com respeito e proporcionando a todas as pessoas, os mesmos direitos, a garantia de uma vida digna.