Vemos e presenciamos diariamente cenas e imagens de crianças em anúncios publicitários
vestidas e paramentadas como adultos. São roupas, trejeitos e posturas que não condizem com
a faixa etária dos "modelos". A isso podemos denominar de "erotização da infância".
Por outro lado, ouvimos notícias, leis e cuidados em prol da infância,
a fim de que as mesmas não sejam vítimas de pedofilia, maus tratos e abusos.
Mas aí eu pergunto: Não é um abuso a maneira como estão sendo expostas pela mídia?
Fico surpresa com essa contradição e mudança de postura tão oposta em relação
a uma e outra situação.
São mães que vestem suas filhas de 3, 4, 5, 6 ou mais anos como se fossem
dançarinas de funk, modelos em passarelas,
mulheres adultas em dia de festa - com maquiagem e cabelo feito.
Trabalhando em escola e acompanhando o desenvolvimento e crescimento de muitas crianças e adolescentes, já vivenciei situações em que as mães apoiavam e achavam lindo ver as suas
filhinhas dançando a coreografia de uma música extremamente apelativa,
erótica e vulgar. Comprar sapatos de salto, saia curta, batom e blush às filhas que frequentavam a Educação Infantil!?
Com o passar do tempo, claro que não é regra, mas muitas delas apareciam grávidas
precocemente, namorando "sério" aos 12 anos,
morando junto com o namorido aos 14,... e as suas progenitoras lamentando-se
e questionando-se: "ONDE FOI QUE EU ERREI?"
Penso,enquanto mãe, mulher e educadora, que é necessário - se não cortar pela raiz, já que se trata de uma situação ampla e complexa - evitar ao máximo possível esse tipo de comportamento.
Escolher, com cautela e cuidado, que tipo de vestimentas nossas meninas devem usar.
Batom vermelho será o ideal?
Unhas feitas em salões de beleza será o ideal para uma menininha de 7 anos?
Meia-calça arrastão, com saia jeans será o modelito adequado para ir
a uma apresentação de encerramento de ano letivo da escola onde estuda?
Algumas situações demandam de uma atenção redobrada dos familiares
e educadores. Aqui vale lembrar do velho e sábio ditado popular:
"a gente só colhe aquilo que planta".

Oi Sheila, compreendo o quanto é complicado sairmos da ensino tradicional, mas não seria o caso de pensarmos em ensinar aspectos de uma adequada vaidade e riscos de uma superexposição que correm as crianças? Sua escola já pensou em lidar com este problema? Abraços!
ResponderExcluirSim, em inúmeras ocasiões foram tratados assuntos relacionados a isso. Inclusive, em uma das vezes, o Dr. Sérgio de Paula Ramos, psiquiatra de POA, realizou uma conversa com todos os segmentos da escola: pais, alunos, profissionais e comunidade em geral, para falar sobre o assunto.
ResponderExcluirAcreditamos que tenha sido bem válido, apesar de alguns pais terem julgado desnecessário, tecendo comentários do tipo: "cabe a cada família decidir a maneira de vestir e educar os filhos, e não um psiquiatra vir dizer como devemos fazer..."
Então vejo que, como escola, tentamos fazer o melhor, mas há famílias que veem com bons olhos expor suas crianças e, conforme eu afirmei: "erotizar a infância".