O livro indicado é “Pretinha, eu?” do escritor Júlio Emílio Braz.
A
história apresenta como situação-conflito o fato de uma menina negra – Vânia-
ingressar numa escola particular, o Colégio Harmonia. Tal fato desestabiliza a
harmonia do educandário, pois até sua chegada, não havia nenhuma aluna negra
frequentando a instituição, o que acaba por desencadear uma série de atitudes
de preconceito e discriminação por parte dos alunos e seus familiares.
Especialmente por um grupo de colegas, lideradas por Carmita e tendo como “seguidoras”:
Vivi, Bárbara, Tatiana e Bel (a personagem-narradora).
Muitas
são as situações discriminatórias, vexatórias e intrigantes pela qual a
protagonista passa: deboche por ir de ônibus à escola, ridicularização por usar
uma camiseta rasgada, inferiorização por ter o “cabelo ruim”, os lábios
carnudos e vermelhos, o nariz largo ou então por ser bolsista da
instituição,...
A minha
escolha se deu por tratar de uma narrativa que pode perfeitamente ser
trabalhado com alunos de 6.º e 7.º anos do Ensino Fundamental. Além disso, o
enredo é claro, objetivo e promove muitas reflexões em seus leitores, não só
pelas informações explícitas, mas (inclusive) pelas implícitas. Há um
fragmento, na página 38, que parte da personagem-narradora Bel, que aqui
transcrevo para ilustrar:
“ Carmita
disse que a mãe dela falou, e que o pai concorda, que gente preta não é muito
inteligente não. Que gente preta é preguiçosa e só vive criando confusão”
Há outras
partes bem chocantes e que demonstram o preconceito de que trata a obra e, com
as quais, associei à nossa primeira aula da disciplina de Literatura com a
professora Ivany e a tutora Renata, pois envolve uma parcela de pessoas que
vive às margens da sociedade. Não apenas lhe são negados alguns direitos, como
também ao conseguirem se apropriar de algumas conquistas precisam provar que
estão lá por merecimento, porque fazem juz aquilo, que se veem sujeitas a
diariamente sofrerem escárnio de semelhantes seus que julgam-se superiores e
melhores.
Saliento
que, por trás de toda a ira e revolta de Carmita com o ingresso de Vânia ao
Colégio Harmonia (cujo nome, a meu
ver, é uma antítese proposital), há uma situação familiar bastante delicada. Ela
é branca, loura, rica, mas é órfã de pais vivos. Então pareceu-me que, para
fugir dos seus percalços existenciais, acaba por encontrar um alvo com o
intuito de descarregar suas insatisfações, descontentamentos e frustrações.







