O
texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” da autora Regina Hara trata,
especialmente, das pessoas que se dedicam ao trabalho de alfabetização de
adultos. Nele são apontados meios de garantir o direito de escolarização com
qualidade para todos, um desafio de ordem política, pois ao mesmo tempo que
trabalham com a aprendizagem da leitura e da escrita, procuram ampliar os
ganhos de consciência dos grupos populares ao refletir sobre a sua realidade e
sobre o seu mundo.
Segundo
HARA (1992):
“...os adultos das
camadas populares, dentre as adversidades que a sociedade lhes impõe, a questão
da escolarização tem peso menor para a sua sobrevivência. Questões como
habitação, saúde, emprego, alimentação, transporte, são prioritárias em relação
aos processos escolares. Isto significa que os desafios impostos ao trabalho de
escolarização popular, nos momentos de crise econômica e social, acabam por ser
muito maiores, demandas caem na proporção direta ao empobrecimento da
população.
De
uma maneira simples e de fácil entendimento, o texto expõe algumas conclusões
importantes sobre o ato de alfabetizar adultos, como por exemplo, o fato da
evolução da escrita para esses, seguir as mesmas fases - previstas por Emília
Ferreiro - para as crianças: pré-silábica, silábica, silábica alfabética e
alfabética. Além disso, reflete acerca do preconceito sofrido pelos analfabetos
na sociedade onde vivem. Segundo Moacir Gadotti: “a alfabetização é libertação
humana, é ter a possibilidade de construir um mundo diferente”.
São
apresentadas algumas maneiras de trabalhar as diferentes linguagens nesse
processo de resgatar a visão de mundo, os sonhos e desejos que cada indivíduo
tem ao retornar aos bancos escolares a fim de aprender, decifrar e partilhar o
saber socialmente acumulado nas diferentes áreas. São alguns deles: teatro,
confecção de cartazes, trabalhos com argila, vídeos, desenhos, entrevistas e
observação permanente e minuciosa do mundo de que são partes integrantes.
Assim
como todas demais modalidades de ensino devem entender que a escola não está à
margem da sociedade, mas sim: é a sociedade, os alunos devem participar, não
sendo seres passivos de seu processo de aprendizagem. A partir dos problemas e
acontecimentos que ocorrem em suas comunidades, chega-se então às situações
educativas, que levarão aos temas geradores, que provocarão,
gerarão, uma melhor e mais aprofundada compreensão do contexto onde estão
inseridos.
Paulo
Freire afirma: “Aprendemos a vida toda”. Assim sendo, urge entender os “erros”
cometidos pelos educando, como um momento de acerto, como uma possibilidade,
pois o processo de aprendizado é dinâmico e ativo e deve ser tomado como ponto
de partida aquilo que os discentes já conhecem. A aquisição da leitura pode ser
um processo auxiliar do desvelamento da realidade. Alguns dos alunos que frequentam a modalidade
EJA: alfabetização apresentam suas razões para alfabetizar-se depois de
adultos, sendo algumas delas: assinar o nome, melhorar o emprego, buscar um
crescimento pessoal e intelectual.
A
leitura desse texto pode e deve provocar, principalmente nos educadores, um
incentivo, uma perspectiva de se analisar e de refletir acerca da importância
social e política que a alfabetização representa para a sociedade e, em
especial, a essas pessoas que, por variados motivos, não tiveram a
possibilidade de decifrar o código da escrita em sua infância.