sexta-feira, 25 de maio de 2018

Atividade utilizando a tecnologia digitais

A atividade foi desenvolvida com uma turma de 9.º ano. Já que era o encerramento de um ciclo, optei por criar com eles um livro da turma, para que o mesmo ficasse de lembrança para a vida toda. Tivemos a parceria das  professoras de Língua Inglesa, a qual auxiliou-os na tradução das biografias de cada aluno, uma vez que o relato apareceria em duas línguas. A professora de Artes, por sua vez, ficou encarregada de organizar as fotos da época da infância e outra imagem recente, que foi feita segundo alguns critérios visuais (luz, postura, ...). Os textos que iam sendo produzidos, só poderiam ser encaminhados por mim via e-mail. Após realizados os meus apontamentos, eu reencaminhava a cada um, para que fossem realizados os ajustes necessários. Se houvesse a necessidade, eu fazia um segundo envio, a fim de que o resultado fosse bom.
O livro saiu, inclusive doamos um exemplar para a biblioteca da escola. O trabalho foi exaustivo e envolveu bastante gente, mas valeu a pena, porque ficou muito legal (linguagem verbal, não-verbal, trabalho artístico, texto em inglês e todos os ajustes e alterações foram ocorrendo exclusivamente por e-mail). 
Dois anos após realizado esse trabalho, um dos alunos - infelizmente - faleceu em um acidente de ônibus voltando do Paraguai, em Passo Fundo. A comoção foi geral na cidade e, o texto escrito por esse garoto, foi publicado em no face de alguns colegas e, procurada por um site, contei como o mesmo surgiu. 
Até hoje alguns dos alunos, ao me encontrarem, ainda relembram do livro da turma com carinho e saudosismo. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Atividade - Aquisição da linguagem


A atividade foi realizada com os alunos do 1.º ano do Ensino Fundamental e consistiu na seguinte proposta:
1.        Cada aluno da turma recebeu um livro intitulado “O encontro” de autoria de Michele Iacocca – Editora Positivo, o qual não contém linguagem verbal, mas sim é composto somente de linguagem não-verbal (imagens);
2.        Orientados pela professora, cada aluno precisava folhear toda a obra, analisando as figuras e imaginando como seria a história;
3.        Ao acabar essa etapa, cada um deveria relatar oralmente aos colegas, como seria o enredo;
4.        Cada um, então, teve a oportunidade de expor o seu entendimento. Por diversas vezes, houve a necessidade de interferir, pois todos estavam muito ansiosos para contar aos colegas. Saíram histórias maravilhosas e bastante diferentes, apesar de partirem do mesmo livro e das mesmas figuras;
5.        A professora foi ao quadro e, com a colaboração da turma, escreveu no quadro uma única história, criada coletivamente, a qual, posteriormente, foi digitada, recortada e colada no livro, correspondendo às imagens de cada página.

A partir dos vídeos propostos pela disciplina e dos textos estudados, conclui-se que a linguagem serve para: registrar informações, organizar ação e pensamento, controlar ou influir sobre a conduta dos outros, possibilitar a aquisição de conhecimentos, permitir desprender-se da realidade do cotidiano e possibilitar a integração da criança em seu meio social. Além disso, a teoria de Lev Vygotsky afirmava que o desenvolvimento do indivíduo era resultado de um processo sócio-histórico, com ênfase no papel da linguagem para a aprendizagem. Sua questão central era a aquisição do conhecimento pela interação do sujeito com o meio, sendo que no processo de apropriação cultural, o papel mediador da linguagem é fundamental, tendo importante ´papel na formação do pensamento, compreendida na relação de síntese entre o organismo e ambiente.

domingo, 20 de maio de 2018

Alfabetização de Jovens e Adultos


O texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” da autora Regina Hara trata, especialmente, das pessoas que se dedicam ao trabalho de alfabetização de adultos. Nele são apontados meios de garantir o direito de escolarização com qualidade para todos, um desafio de ordem política, pois ao mesmo tempo que trabalham com a aprendizagem da leitura e da escrita, procuram ampliar os ganhos de consciência dos grupos populares ao refletir sobre a sua realidade e sobre o seu mundo.
Segundo HARA (1992):
“...os adultos das camadas populares, dentre as adversidades que a sociedade lhes impõe, a questão da escolarização tem peso menor para a sua sobrevivência. Questões como habitação, saúde, emprego, alimentação, transporte, são prioritárias em relação aos processos escolares. Isto significa que os desafios impostos ao trabalho de escolarização popular, nos momentos de crise econômica e social, acabam por ser muito maiores, demandas caem na proporção direta ao empobrecimento da população.

De uma maneira simples e de fácil entendimento, o texto expõe algumas conclusões importantes sobre o ato de alfabetizar adultos, como por exemplo, o fato da evolução da escrita para esses, seguir as mesmas fases - previstas por Emília Ferreiro - para as crianças: pré-silábica, silábica, silábica alfabética e alfabética. Além disso, reflete acerca do preconceito sofrido pelos analfabetos na sociedade onde vivem. Segundo Moacir Gadotti: “a alfabetização é libertação humana, é ter a possibilidade de construir um mundo diferente”.
São apresentadas algumas maneiras de trabalhar as diferentes linguagens nesse processo de resgatar a visão de mundo, os sonhos e desejos que cada indivíduo tem ao retornar aos bancos escolares a fim de aprender, decifrar e partilhar o saber socialmente acumulado nas diferentes áreas. São alguns deles: teatro, confecção de cartazes, trabalhos com argila, vídeos, desenhos, entrevistas e observação permanente e minuciosa do mundo de que são partes integrantes.
Assim como todas demais modalidades de ensino devem entender que a escola não está à margem da sociedade, mas sim: é a sociedade, os alunos devem participar, não sendo seres passivos de seu processo de aprendizagem. A partir dos problemas e acontecimentos que ocorrem em suas comunidades, chega-se então às situações educativas, que levarão aos temas geradores, que provocarão, gerarão, uma melhor e mais aprofundada compreensão do contexto onde estão inseridos.
Paulo Freire afirma: “Aprendemos a vida toda”. Assim sendo, urge entender os “erros” cometidos pelos educando, como um momento de acerto, como uma possibilidade, pois o processo de aprendizado é dinâmico e ativo e deve ser tomado como ponto de partida aquilo que os discentes já conhecem. A aquisição da leitura pode ser um processo auxiliar do desvelamento da realidade.  Alguns dos alunos que frequentam a modalidade EJA: alfabetização apresentam suas razões para alfabetizar-se depois de adultos, sendo algumas delas: assinar o nome, melhorar o emprego, buscar um crescimento pessoal e intelectual.
A leitura desse texto pode e deve provocar, principalmente nos educadores, um incentivo, uma perspectiva de se analisar e de refletir acerca da importância social e política que a alfabetização representa para a sociedade e, em especial, a essas pessoas que, por variados motivos, não tiveram a possibilidade de decifrar o código da escrita em sua infância.


sábado, 19 de maio de 2018

EJA

Um pouco sobre a Educação de jovens e adultos no Brasil

Os alunos que matriculam-se na EJA são pessoas que, conforme as colegas já afirmaram, por vários motivos não tiveram como frequentar uma instituição escolar na idade certa ou então, que frequentavam, mas acabavam evadindo por dar prioridade ao trabalho, por não conseguir "acompanhar", por falta de interesse, estímulo, etc. Embora atualmente, na escola onde trabalho, vejo que as características mudaram muito de um tempo pra cá, porque nessa época, as salas eram repletas de pessoas com maior idade, 35, 40, 50 e até mais. Neste ano, constato que as turmas são formadas - em sua maioria - por alunos que estão entre a faixa etária de 18 a no máximo 25, com raras exceções. O principal motivo que os leva aos bancos escolares são exigências dos empregadores, ou então para conseguir vagas no SENAI - o qual só aceita alunos que estejam frequentando o Ensino Médio (regular ou EJA).

As maiores dificuldades são: conciliar trabalho e escola, acreditar que a educação realmente pode mudar as suas vidas - pois observo que muitos desses alunos não têm a perspectiva de uma vida melhor, de evoluir intelectual ou socialmente no futuro. Além disso, alguns conteúdos/disciplinas ainda não fazem sentido para algumas pessoas. 

Com relação à heterogeneidade dos grupos, penso que pode provocar muitas reflexões e aprendizagens, pois é por meio do convívio com o diferente que passamos a conhecê-lo e podemos trocar ideias, mudar concepções, perspectivas e argumentar acerca do que cada um sabe, pensa, vive e concebe sobre o "seu" mundo. Muitas discussões podem surgir, mas creio que, quando o grupo está engajado, buscando um aprendizado significativo e, acima de tudo, quando são acompanhados por professores comprometidos com o seu fazer pedagógico, muitas conquistas podem surgir.  

Também falo pela minha experiência: trabalhar partindo do que interessa aos alunos, por meio de projetos, trabalhos interdisciplinares, abordando assuntos do cotidiano, solicitando que eles busquem recursos/pessoas/materiais fora da escola para se engajar ao trabalho. Isso surte efeito muito positivo, pois eles se sentem responsáveis, integrantes e participativos no seu processo de aprendizagem.