Um pouco sobre a Educação de jovens e adultos no Brasil
Os alunos que matriculam-se na EJA são pessoas que, conforme as colegas já afirmaram, por vários motivos não tiveram como frequentar uma instituição escolar na idade certa ou então, que frequentavam, mas acabavam evadindo por dar prioridade ao trabalho, por não conseguir "acompanhar", por falta de interesse, estímulo, etc. Embora atualmente, na escola onde trabalho, vejo que as características mudaram muito de um tempo pra cá, porque nessa época, as salas eram repletas de pessoas com maior idade, 35, 40, 50 e até mais. Neste ano, constato que as turmas são formadas - em sua maioria - por alunos que estão entre a faixa etária de 18 a no máximo 25, com raras exceções. O principal motivo que os leva aos bancos escolares são exigências dos empregadores, ou então para conseguir vagas no SENAI - o qual só aceita alunos que estejam frequentando o Ensino Médio (regular ou EJA).
As maiores dificuldades são: conciliar trabalho e escola, acreditar que a educação realmente pode mudar as suas vidas - pois observo que muitos desses alunos não têm a perspectiva de uma vida melhor, de evoluir intelectual ou socialmente no futuro. Além disso, alguns conteúdos/disciplinas ainda não fazem sentido para algumas pessoas.
Com relação à heterogeneidade dos grupos, penso que pode provocar muitas reflexões e aprendizagens, pois é por meio do convívio com o diferente que passamos a conhecê-lo e podemos trocar ideias, mudar concepções, perspectivas e argumentar acerca do que cada um sabe, pensa, vive e concebe sobre o "seu" mundo. Muitas discussões podem surgir, mas creio que, quando o grupo está engajado, buscando um aprendizado significativo e, acima de tudo, quando são acompanhados por professores comprometidos com o seu fazer pedagógico, muitas conquistas podem surgir.
Também falo pela minha experiência: trabalhar partindo do que interessa aos alunos, por meio de projetos, trabalhos interdisciplinares, abordando assuntos do cotidiano, solicitando que eles busquem recursos/pessoas/materiais fora da escola para se engajar ao trabalho. Isso surte efeito muito positivo, pois eles se sentem responsáveis, integrantes e participativos no seu processo de aprendizagem.
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