Primeira versão do
roteiro para o vídeo que será produzido por nosso grupo, a fim de evidenciar as
possíveis conversas com os textos e o material estudado na interdisciplina e a
realidade que nos cerca com histórias dramáticas, lições de vida e a crueldade
que muitas pessoas tiveram de enfrentar (e ainda enfrentam) devido ao
preconceito e discriminação.
Nosso grupo é composto por cinco integrantes. Nossa
história estava diante dos olhos de uma dessas componentes: a Franciele Rui,
colega da protagonista de nossa
história, em uma das escolas onde leciona. A jovem senhora de iniciais D.M., 39
anos, não quer ter seu rosto revelado. A razão? Desconhecemos, mas a
respeitaremos sem dúvida. D.M. é uma
pessoa do sexo feminino, heterossexual, parda, evangélica, casada, residente e
domiciliada na cidade de Cotiporã, RS. Tem quatro filhos, é professora,
atualmente cursa Direito e não conta com nenhum desses corpinhos esculturais
que frequentemente estampam lindas capas de revista. Bem, mas vamos ao roteiro.
Título: A
luta continua
Primeira versão: Seu
nome é Marlove. Desde cedo, o preconceito a perseguiu. Nasceu parda, numa
cidade interiorana do Rio Grande do Sul, povoada por não mais de 4 mil
habitantes, sendo a grande maioria formada por imigrantes italianos, brancos
como o leite, cabelos claros e predominantemente católicos. Ela, evangélica,
por opção e convicção.
Certo
dia, cansada do marasmo que a cercava, decidiu mudar a sua trajetória já
pré-determinada por alguns. Então, ao completar 18 anos, foi a São Paulo a fim
de estudar. As más línguas não pouparam comentários e, propagaram aos quatro
ventos que iria tentar vida fácil. Retornou alguns anos depois, portando
consigo um diploma de Licenciatura Plena em Matemática, disposta e pronta a
ganhar a vida de uma maneira mais difícil: SENDO PROFESSORA. Casou-se aos 29
anos e pôs-se a ter filhos: um, dois, três, quatro. Sim! Pessoas “dessa cor”
gostam de famílias numerosas, crianças correndo, bagunça pela casa.
Contava
com diversos atributos que a crucificavam.
Hoje,
no auge de seus 39 anos, frases ditas por pessoas que a rodeavam, ainda povoam
seus pensamentos:
“...você
nunca será ALGUÉM na vida”
“...você
não é capaz!”
Entretanto,
e apesar de tudo, ainda tem objetivos. Cursa agora Direito, talvez para suprir
um “buraco” que ainda existe dentro dela. Sua luta continua, pois acima de
qualquer coisa, é mãe, e sabe que não conseguirá proteger os seus filhos das
atrocidades da vida.
A
sociedade mudou? Talvez.
As
oportunidades são iguais para todos? Não
Mas
a sua luta, ah! Essa sim continua dentro e fora dela.
Fragmento
do livro: “A garota no trem” de Paula Hawkins
“...os
buracos na vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes
de árvores ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas.”
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