sexta-feira, 29 de junho de 2018

Teoria de Wallon




Henri Wallon foi filósofo, médico, psicólogo e político francês. Afirmava que a criança é essencialmente racional e gradualmente vai se constituindo em um ser sócio-cognitivo. Assumiu postura interacionista, afirmando que o processo de aprendizagem é dialético: não postula verdades absolutas, mas busca uma revitalização de direções e possibilidades. Realizou estudos da pessoa completa: cognitivo, afetivo e motor.
O desenvolvimento, de acordo com Wallon, consiste em identificar-se em oposição ao mundo exterior, o que ocorre por meio de estágios, onde o comportamento aprendido não é extinto, mas integrado ao posterior. A cognição, segundo ele, está alicerçada em quatro categorias de atividades cognitivas específicas, chamadas de CAMPOS FUNCIONAIS.
1.      AFETIVIDADE: base do desenvolvimento da inteligência;
2.      MOVIMENTO;
3.      INTELIGÊNCIA: raciocínio simbólico e linguagem;
4.      FORMAÇÃO DO EU: consciência e identidade do EU.
Além disso, propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, porém ele nãoé adepto da ideia de que a criança cresce de maneira linear. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e cada estágio estabelece uma forma específica na interação com o outro.
Estágio impulsivo-emocional: o primeiro ano de vida. Emoções são o principal instrumento com o meio.
Estágio sensório-motor e projetivo: dos três meses aos três anos. A inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos. Inteligência: interação de objetos com o próprio e inteligência discursiva – apropriação da linguagem. Os pensamentos se projetos em atos motores.
Estágio do personalismo: dos três aos seis anos de idade. Crucial para a formação da personalidade. Imitação motora e social.
Estágio Categorial: a criança começa a desenvolver as capacidades da memória e atenção voluntárias, dos seis aos onze anos. Se formam as categorias mentais: conceitos abstratos que abarcam vários conceitos concretos sem se perder a nenhum deles. Abstração é amplificada. Raciocínio simbólico se consolida como ferramenta cognitiva.
Estágio da adolescência: a partir dos onze a doze anos, transformações físicas e psicológicas, estágio afetivo, quando o indivíduo passa por conflitos externos e internos. Busca de autoafirmação e desenvolvimento da sexualidade.

Wallon foi o primeiro a levar, não só o corpo, mas as emoções para a sala de aula. Sua proposta põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada, sempre considerando a pessoa como um todo.





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Consciência fonológica

Seguem propostas de atividades para desenvolver a consciência fonológica:



Consciência fonológica pode ser entendida como um conjunto de habilidades que vão desde a simples percepção global do tamanho da palavra e de semelhanças fonológicas entre as palavras até a segmentação e manipulação de sílabas e fonemas (Bryant & Bradley, 1985). A partir da leitura dos textos, apresento algumas atividades que podem desenvolver a consciência fonológica:
1.                       Entregar para as crianças uma folha contendo imagens. Ao lado de cada uma delas, solicita-se que escrevam a primeira letra correspondente à inicial de capa imagem:

   

2.                       A partir do poema “Roda na rua” de Cecília Meirelles, confeccionar um cartaz dando destaque para a letra “R”. Após isso, entregar para cada um aluno o poema impresso, solicitando que pintem a letra que se repete.
Na sequência, pedir que escrevam uma relação de palavras que contém a letra R, pode ser no início, meio ou fim de cada palavra.


3.                       Propor uma brincadeira com rimas que aconteceria da seguinte forma:

· A professora canta: “Pico, picolé que sabor tu quer?” Daí a criança que está ao seu lado responde: “morango”. A partir disso, a profe propõe que, a cada sílaba, se bata uma palma. MO – RAN- GO
· Então parte para a próxima criança que está ao seu lado que repita a cantoria, mudando-se apenas a escolha do sabor do picolé. “pico picolé, que sabor tu quer?” “Limão”. LI-MÃO.


4.                       A partir de uma ficha contendo imagens, propor a exclusão de uma sílaba, formando, com isso, novas palavras:

GALINHA - GA:  ____________________________________    (LINHA)

 CAMISA - MI : __________________________________________   (CASA)

BONECA - CA:  ________________________________________ (BONÉ)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Inovações pedagógicas




As inovações pedagógicas surgiram, com o passar dos anos, a fim de facilitar, tornar as relações e o aprendizado ainda mais fácil, acessível e eficiente. Antigamente, as aulas, por exemplo, eram extremamente tradicionais e contavam apenas com: giz, quadro negro e intervenção da figura do professor.  Gradativamente, foram sendo implementadas novas formas, novos meios e instrumentos: calculadoras, computadores, internet, data-show, entre outros.

É importante destacar que as novas tecnologias não fizeram parte apenas das instituições escolares, mas também acabou por transformar a vida familiar, social, comercial e industrial. A forma de comunicação, por exemplo, se efetiva de modo extremamente rápido, as informações se difundem numa velocidade anteriormente inimaginável. Entretanto, ainda é preciso utilizar esses recursos de modo mais positivo e benéfico.

Voltando ao ambiente escolar, as mídias poderiam e deveriam ser melhor aproveitadas. Pesquisar, comparar, descobrir, saber lidar com muitos desses recursos ainda é um desafio, tanto para alunos, quanto para professores. Penso que evoluímos em vários aspectos, mas ainda é preciso trazer para dentro das escolas, a tecnologia a nosso favor.

Avaliar: é importante???


A avaliação não é destinada a medir, mas sim, a diagnosticar os “problemas”, as lacunas deixadas durante o processo educativo. Deve ocorrer durante toda a trajetória, todo o percurso. Toda aula, todo dia, toda fala e toda participação devem ser avaliados, percebendo o que ainda deve ser enfatizado, exemplificado e esmiuçado a fim de que o aprendizado se efetive de maneira concreta e significativa ao aluno.
Segundo Souza o método tradicional é discriminatório sendo que os socialmente favorecidos contam com vantagens para prosseguir nos estudos e os de classes sociais inferiores, acabam por ficar aquém dos processos de educação.

Avaliação Mediadora: o aluno é visto com individualidade, valorizam-se  instrumentos de avaliação, para que sejam um meio para tornar o processo de aprendizagem mais efetivo. A todo o instante há intervenções, tanto do alunos para com a educadora e vice-versa. Segundo Ferreira, avaliar é proporcionar ao aluno que crie algo novo, questionando o que já foi visto. 

Posição reducionista da avaliação escolar: A avaliação é considerada o fim do processo. O “ensino-aprendizagem” reduz-se a uma sequência de atos: transmitir, assimilar, memorizar, reproduzir conhecimentos. Os instrumentos avaliativos não problematizadores, contemplando a memorização. A avaliação reducionista ocorre em momentos distintos – trimestre, bimestre, semestre - privilegiando a memorização e valorizando a utilização do instrumento prova ou exame, classificando-o.

 Visão unilateral da avaliação: O aluno é avaliado por todos, baseando-se na avaliação autoritária e centralizadora. O professor detém o poder absoluto. 

Professor e avaliação: O professor orienta o processo de forma participativa, o aluno deixa de ser um simples receptor de conhecimento e passa a ser ativo. O professor facilita, não sendo apenas um transmissor de conhecimento.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Teorias: Piaget - Vygotsky - Chomski - Skinner - Wallon


Quadro de análise estabelecendo uma comparação entre as teorias :
PIAGET
Hipótese Cognitivista
VYGOTSKY
Hipótese Cognitivista
CHOMSKY
Hipótese Inatista
SKINNER
Hipótese Behaviorista
WALLON
·                    Maturação + crescimento orgânico + genética + meio.
·                    Desenvolvimento natural da criança, sendo suas habilidades formadas pela ação/interação entre o organismo e o meio;
·                    A Linguagem é um sistema simbólico de representações;
·                    A comunicação é um processo evolutivo;
·                    Todo o ser humano passa a desenvolver suas habilidades a partir da interação;
·                    A linguagem é influenciada pelo ambiente;
·                    Ser humano nasce com a capacidade de aprender, necessitando apenas de estímulos para desenvolver a linguagem;
·                    Teoria centrada no desenvolvimento natural da criança, as habilidades intelectuais são formadas pela ação/interação entre o organismo e o meio;
·                    Cada criança constrói seu conhecimento, sendo um sujeito ativo;
·                    Impossível dissociar o orgânico do processo de desenvolvimento psicológico da criança;
·                    Educação orientada para a autonomia;

ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO:

# SENSÓRIO MOTOR: (0 a 2 anos)
Percepções sensoriais, reflexos inatos.

# PRÉ OPERATÓRIO: (2 a 7 anos) Linguagem oral, esquema simbólico (palavras).

# OPERATÓRIO CONCRETO: (8 a 12 anos) Noção e conservação do todo, independente do arranjo das partes. Menos egocêntrica.

# OPERATÓRIO FORMAL: (12 anos ou mais) sujeito não precisa manipular objetos para compreendê-los. Formula hipóteses. Pensamento livre da realidade, raciocina logicamente, longe das amarras do concreto.
·                    Aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio;
·                    Ênfase no papel da linguagem e da aprendizagem;
·                    A melhor forma de aprendizagem: interagir, relações interpessoais, construção coletiva. As funções mentais superiores são socialmente formadas: percepção, memória e pensamento:
Mediação: feita por meio da linguagem. Interação: troca com os outros. Internalização: consigo mesma. ZDP: espaço entre o que ela é, o que já sabe sozinha e aquilo que ela tem a potencialidade de ser – o que está próximo, desde que esteja assistida.
·                   Professor é mediador, descobridor da ZDP
·                   implicações da abordagem de Vygotsky para a educação:
1) Valorização do papel da escola;
2) O bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento;
3) O papel do outro na construção do conhecimento;
4) Papel da imitação no aprendizado;
5) O papel mediador do professor na dinâmica das interações interpessoais e na interação das crianças com objetos de conhecimentos.


·                   O sujeito traz sua competência linguística (língua) programada biologicamente;
·                   O sujeito faz uso da sua competência linguística através de uma performance:  fala, também hereditária;
·                   Gerativismo;
·                   Sujeito gera conceitos.
·                    Fala: individual, secundária e criativa;
·                     A aquisição da linguagem precede o desenvolvimento cognitivo;
·                    Estímulo/resposta/reforço,  imitação/experiência;
·                    Regras são para as palavras e não para a fala.
·                    Saussure: língua social, essencial, sistema de signos;
·                    A criança é um receptor passivo da linguagem;
·                    Imitação.

·                    Criança é essencialmente emocional e gradualmente vai se constituindo em um ser sócio-cognitivo;
·                    Postura interacionista;
·                    Processo de aprendizagem é dialético: não postular verdades absolutas, mas revitalizar direções e possibilidades;
·                    Cognição alicerçada em quatro categorias específicas, chamadas CAMPOS FUNCIONAIS:
1º Afetividade;
2º Movimento
3º Inteligência
4º Formação do EU como pessoa;
·                   Processos comunicativos e expressivos acontecem nas trocas sociais, como a imitação;
·                    A proposta Walloniana põe e desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada, sempre considerando a pessoa como um todo;
·                    Estágios de desenvolvimento:
# ESTÁGIO IMPULSIVO-EMOCIONAL: 1.º ano de vida. Emoções.
# ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR e PROJETIVO: 3 meses aos três anos. Mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos. Pensamentos se projetam em atos motores.
# ESTÁGIO DO PERSONALISMO: dos 3 aos 6 anos. Imitação motora e social.
# ESTÁGIO CATEGORIAL: 6 a 11 anos. Memória e atenção voluntárias. A abstração é amplificada.
# ESTÁGIO DA ADOLESCÊNCIA: a partir dos 11, 12 anos. Transformações físicas e psicológicas, busca de autoafirmação e desenvolvimento da sexualidade.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Atividade utilizando a tecnologia digitais

A atividade foi desenvolvida com uma turma de 9.º ano. Já que era o encerramento de um ciclo, optei por criar com eles um livro da turma, para que o mesmo ficasse de lembrança para a vida toda. Tivemos a parceria das  professoras de Língua Inglesa, a qual auxiliou-os na tradução das biografias de cada aluno, uma vez que o relato apareceria em duas línguas. A professora de Artes, por sua vez, ficou encarregada de organizar as fotos da época da infância e outra imagem recente, que foi feita segundo alguns critérios visuais (luz, postura, ...). Os textos que iam sendo produzidos, só poderiam ser encaminhados por mim via e-mail. Após realizados os meus apontamentos, eu reencaminhava a cada um, para que fossem realizados os ajustes necessários. Se houvesse a necessidade, eu fazia um segundo envio, a fim de que o resultado fosse bom.
O livro saiu, inclusive doamos um exemplar para a biblioteca da escola. O trabalho foi exaustivo e envolveu bastante gente, mas valeu a pena, porque ficou muito legal (linguagem verbal, não-verbal, trabalho artístico, texto em inglês e todos os ajustes e alterações foram ocorrendo exclusivamente por e-mail). 
Dois anos após realizado esse trabalho, um dos alunos - infelizmente - faleceu em um acidente de ônibus voltando do Paraguai, em Passo Fundo. A comoção foi geral na cidade e, o texto escrito por esse garoto, foi publicado em no face de alguns colegas e, procurada por um site, contei como o mesmo surgiu. 
Até hoje alguns dos alunos, ao me encontrarem, ainda relembram do livro da turma com carinho e saudosismo. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Atividade - Aquisição da linguagem


A atividade foi realizada com os alunos do 1.º ano do Ensino Fundamental e consistiu na seguinte proposta:
1.        Cada aluno da turma recebeu um livro intitulado “O encontro” de autoria de Michele Iacocca – Editora Positivo, o qual não contém linguagem verbal, mas sim é composto somente de linguagem não-verbal (imagens);
2.        Orientados pela professora, cada aluno precisava folhear toda a obra, analisando as figuras e imaginando como seria a história;
3.        Ao acabar essa etapa, cada um deveria relatar oralmente aos colegas, como seria o enredo;
4.        Cada um, então, teve a oportunidade de expor o seu entendimento. Por diversas vezes, houve a necessidade de interferir, pois todos estavam muito ansiosos para contar aos colegas. Saíram histórias maravilhosas e bastante diferentes, apesar de partirem do mesmo livro e das mesmas figuras;
5.        A professora foi ao quadro e, com a colaboração da turma, escreveu no quadro uma única história, criada coletivamente, a qual, posteriormente, foi digitada, recortada e colada no livro, correspondendo às imagens de cada página.

A partir dos vídeos propostos pela disciplina e dos textos estudados, conclui-se que a linguagem serve para: registrar informações, organizar ação e pensamento, controlar ou influir sobre a conduta dos outros, possibilitar a aquisição de conhecimentos, permitir desprender-se da realidade do cotidiano e possibilitar a integração da criança em seu meio social. Além disso, a teoria de Lev Vygotsky afirmava que o desenvolvimento do indivíduo era resultado de um processo sócio-histórico, com ênfase no papel da linguagem para a aprendizagem. Sua questão central era a aquisição do conhecimento pela interação do sujeito com o meio, sendo que no processo de apropriação cultural, o papel mediador da linguagem é fundamental, tendo importante ´papel na formação do pensamento, compreendida na relação de síntese entre o organismo e ambiente.