sexta-feira, 22 de abril de 2016

Dica de leitura que aborda a discriminação racial! Que tal?




O livro indicado é “Pretinha, eu?” do escritor Júlio Emílio Braz. 

A história apresenta como situação-conflito o fato de uma menina negra – Vânia- ingressar numa escola particular, o Colégio Harmonia. Tal fato desestabiliza a harmonia do educandário, pois até sua chegada, não havia nenhuma aluna negra frequentando a instituição, o que acaba por desencadear uma série de atitudes de preconceito e discriminação por parte dos alunos e seus familiares. Especialmente por um grupo de colegas, lideradas por Carmita e tendo como “seguidoras”: Vivi, Bárbara, Tatiana e Bel (a personagem-narradora).

Muitas são as situações discriminatórias, vexatórias e intrigantes pela qual a protagonista passa: deboche por ir de ônibus à escola, ridicularização por usar uma camiseta rasgada, inferiorização por ter o “cabelo ruim”, os lábios carnudos e vermelhos, o nariz largo ou então por ser bolsista da instituição,...
A minha escolha se deu por tratar de uma narrativa que pode perfeitamente ser trabalhado com alunos de 6.º e 7.º anos do Ensino Fundamental. Além disso, o enredo é claro, objetivo e promove muitas reflexões em seus leitores, não só pelas informações explícitas, mas (inclusive) pelas implícitas. Há um fragmento, na página 38, que parte da personagem-narradora Bel, que aqui transcrevo para ilustrar:

Carmita disse que a mãe dela falou, e que o pai concorda, que gente preta não é muito inteligente não. Que gente preta é preguiçosa e só vive criando confusão”

Há outras partes bem chocantes e que demonstram o preconceito de que trata a obra e, com as quais, associei à nossa primeira aula da disciplina de Literatura com a professora Ivany e a tutora Renata, pois envolve uma parcela de pessoas que vive às margens da sociedade. Não apenas lhe são negados alguns direitos, como também ao conseguirem se apropriar de algumas conquistas precisam provar que estão lá por merecimento, porque fazem juz aquilo, que se veem sujeitas a diariamente sofrerem escárnio de semelhantes seus que julgam-se superiores e melhores.
Saliento que, por trás de toda a ira e revolta de Carmita com o ingresso de Vânia ao Colégio Harmonia (cujo nome, a meu ver, é uma antítese proposital), há uma situação familiar bastante delicada. Ela é branca, loura, rica, mas é órfã de pais vivos. Então pareceu-me que, para fugir dos seus percalços existenciais, acaba por encontrar um alvo com o intuito de descarregar suas insatisfações, descontentamentos e frustrações.

Um comentário:

  1. Olá Scheila!

    O que escrever sobre tuas postagens? Sempre sinto prazer em ler teu blog, pois ele apresenta aspectos pertinentes e necessários para pensar o ato de escrita. Ler, interpretar, tomar conhecimento, antes de escrever.
    Ótima reflexão, ótimo exercício.

    Parabéns!
    Tutor@ Isolete

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