Após a leitura dos textos de Hilton Japiassu sobre a compartimentalização dos saberes e da importância do trabalho integrado, “Fragmentação dos processos de produção (Taylorismo & Fordismo) e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” expostas por Santomé seguem algumas reflexões:
Há muitas relações entre acompartimentalização dos saberes,
apresentada por Hilton Japiassu e A fragmentação dos processos de produção e da
cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” trazidas
por Santomé.
A teoria Taylorista apresentava uma separação
entre “trabalho manual” e “trabalho intelectual”, ou seja, as primeiras
deveriam se encarregar de obedecer, produzir, seguir as ordens dos superiores
sem pestanejar. A outra parte era encarregada de estudar e planejar o que
deveria ser posto em prática. Palavras de F. W. Taylor: “é evidente que
precisa-se de um tipo de homem para estudar e planejar um trabalho, e de outro
completamente diferente para executá-lo” (Taylor, F. W., 1970, p.53).
Informação relevante também é a de que, com o
aparecimento da linha de montagem na indústria automobilística (organização e
distribuição das tarefas em uma esteira transportadora criada por Henry Ford
(daí o nome fordismo para esse tipo de organização do trabalho) os
trabalhadores apenas deveriam se preocupar com o ritmo da esteira, nada mais.
Assim percebe-se que as filosofias taylorista e fordista destinam-se a privar a
classe trabalhadora de sua capacidade de decisão sobre o próprio processo de
trabalho, sobre o produto e as condições de trabalho.
Diante disso, torna-se evidente a semelhança
entre tal modelo de trabalho e a fragmentação da cultura escolar, pois ambos
perdem suas possibilidades de intervir nos processos dos quais participam. Os
estudantes deviam obedecer aos seus professores (os quais também devem
obediência hierárquica), assimilar os conteúdos que lhe eram ensinados – mesmo
sem relacionar a nada do cotidiano e do contexto em que estavam inseridos, não
falar sem permissão, manter a ordem nas filas. Assim como o trabalhador tinha como foco o seu salário, o aluno
vislumbrava a sua nota.
A compartimentalização do ensino é análoga à
teoria fordista, pois cada pessoa deve atender apenas uma tarefa, sem ter
conhecimento do todo, do global. Não há a “necessidade” de refletir sobre
aquilo que se está desenvolvendo, aprendendo, estudando, mas sim, simplesmente
fazê-lo.
Foi apenas a partir de meados da década de 70 que
começa a surgir a importância do trabalho em equipe. FoiTaichiOhno,
engenheiro-chefe da empresa Toyota que revolucionou os até então atuais modelos
de gestão e produção. A partir disso, trabalhadores comprometem-se com os
interesses da empresa, identificam problemas, sugerem e experimentam formas de
favorecer uma produção melhor e com resultados ainda mais expressivos. Na
filosofia toyotista, há a flexibilidade horizontal, vertical e de
multifuncionalidade.
Houve então, novamente, o reflexo da indústria
para a educação, pois as instituições escolares passam a ter o compromisso de
formar pessoas com conhecimentos, destrezas e valores seguindo essa nova
filosofia econômica. Nas empresas, há a exaltação do operário/trabalhador; nas
escolas, os discursos passam a ser sobre a importância decisiva da classe
docente.
E na sua prática Sheila, como percebes isso? Quais os desafios enfrentados?
ResponderExcluirTutor@ Isolete
Bem, percebo isso no meu dia a dia, ao perceber que, ao entrar em uma sala de aula eles estão guardando os seus materiais e se preparando para uma outra atividade, totalmente à merce do que estavam fazendo.
ResponderExcluirPenso que um dos meios de que dispomos para modificar essa realidade, seria a realização de trabalhos com projetos, em que todas as disciplinas planejasses e se organizassem em conjunto. É claro que para que isso fosse viabilizado, haveria a necessidade de momentos semanais de encontros entre todos os docentes, o que hoje, na escola onde trabalho, parece impossível de acontecer, por uma série de fatores.