quinta-feira, 26 de abril de 2018

Compartimentalização do ensino

Após a leitura dos textos de Hilton Japiassu sobre a compartimentalização dos saberes e da importância do trabalho integrado, “Fragmentação dos processos de produção (Taylorismo & Fordismo) e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” expostas por Santomé seguem algumas reflexões: 
Há muitas relações entre acompartimentalização dos saberes, apresentada por Hilton Japiassu e A fragmentação dos processos de produção e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” trazidas por Santomé.
A teoria Taylorista apresentava uma separação entre “trabalho manual” e “trabalho intelectual”, ou seja, as primeiras deveriam se encarregar de obedecer, produzir, seguir as ordens dos superiores sem pestanejar. A outra parte era encarregada de estudar e planejar o que deveria ser posto em prática. Palavras de F. W. Taylor: “é evidente que precisa-se de um tipo de homem para estudar e planejar um trabalho, e de outro completamente diferente para executá-lo” (Taylor, F. W., 1970, p.53).
Informação relevante também é a de que, com o aparecimento da linha de montagem na indústria automobilística (organização e distribuição das tarefas em uma esteira transportadora criada por Henry Ford (daí o nome fordismo para esse tipo de organização do trabalho) os trabalhadores apenas deveriam se preocupar com o ritmo da esteira, nada mais. Assim percebe-se que as filosofias taylorista e fordista destinam-se a privar a classe trabalhadora de sua capacidade de decisão sobre o próprio processo de trabalho, sobre o produto e as condições de trabalho.
Diante disso, torna-se evidente a semelhança entre tal modelo de trabalho e a fragmentação da cultura escolar, pois ambos perdem suas possibilidades de intervir nos processos dos quais participam. Os estudantes deviam obedecer aos seus professores (os quais também devem obediência hierárquica), assimilar os conteúdos que lhe eram ensinados – mesmo sem relacionar a nada do cotidiano e do contexto em que estavam inseridos, não falar sem permissão, manter a ordem nas filas. Assim como o trabalhador  tinha como foco o seu salário, o aluno vislumbrava a sua nota.
A compartimentalização do ensino é análoga à teoria fordista, pois cada pessoa deve atender apenas uma tarefa, sem ter conhecimento do todo, do global. Não há a “necessidade” de refletir sobre aquilo que se está desenvolvendo, aprendendo, estudando, mas sim, simplesmente fazê-lo.
Foi apenas a partir de meados da década de 70 que começa a surgir a importância do trabalho em equipe. FoiTaichiOhno, engenheiro-chefe da empresa Toyota que revolucionou os até então atuais modelos de gestão e produção. A partir disso, trabalhadores comprometem-se com os interesses da empresa, identificam problemas, sugerem e experimentam formas de favorecer uma produção melhor e com resultados ainda mais expressivos. Na filosofia toyotista, há a flexibilidade horizontal, vertical e de multifuncionalidade.

Houve então, novamente, o reflexo da indústria para a educação, pois as instituições escolares passam a ter o compromisso de formar pessoas com conhecimentos, destrezas e valores seguindo essa nova filosofia econômica. Nas empresas, há a exaltação do operário/trabalhador; nas escolas, os discursos passam a ser sobre a importância decisiva da classe docente. 

2 comentários:

  1. E na sua prática Sheila, como percebes isso? Quais os desafios enfrentados?
    Tutor@ Isolete

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  2. Bem, percebo isso no meu dia a dia, ao perceber que, ao entrar em uma sala de aula eles estão guardando os seus materiais e se preparando para uma outra atividade, totalmente à merce do que estavam fazendo.
    Penso que um dos meios de que dispomos para modificar essa realidade, seria a realização de trabalhos com projetos, em que todas as disciplinas planejasses e se organizassem em conjunto. É claro que para que isso fosse viabilizado, haveria a necessidade de momentos semanais de encontros entre todos os docentes, o que hoje, na escola onde trabalho, parece impossível de acontecer, por uma série de fatores.

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