sexta-feira, 29 de junho de 2018

Teoria de Wallon




Henri Wallon foi filósofo, médico, psicólogo e político francês. Afirmava que a criança é essencialmente racional e gradualmente vai se constituindo em um ser sócio-cognitivo. Assumiu postura interacionista, afirmando que o processo de aprendizagem é dialético: não postula verdades absolutas, mas busca uma revitalização de direções e possibilidades. Realizou estudos da pessoa completa: cognitivo, afetivo e motor.
O desenvolvimento, de acordo com Wallon, consiste em identificar-se em oposição ao mundo exterior, o que ocorre por meio de estágios, onde o comportamento aprendido não é extinto, mas integrado ao posterior. A cognição, segundo ele, está alicerçada em quatro categorias de atividades cognitivas específicas, chamadas de CAMPOS FUNCIONAIS.
1.      AFETIVIDADE: base do desenvolvimento da inteligência;
2.      MOVIMENTO;
3.      INTELIGÊNCIA: raciocínio simbólico e linguagem;
4.      FORMAÇÃO DO EU: consciência e identidade do EU.
Além disso, propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, porém ele nãoé adepto da ideia de que a criança cresce de maneira linear. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e cada estágio estabelece uma forma específica na interação com o outro.
Estágio impulsivo-emocional: o primeiro ano de vida. Emoções são o principal instrumento com o meio.
Estágio sensório-motor e projetivo: dos três meses aos três anos. A inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos. Inteligência: interação de objetos com o próprio e inteligência discursiva – apropriação da linguagem. Os pensamentos se projetos em atos motores.
Estágio do personalismo: dos três aos seis anos de idade. Crucial para a formação da personalidade. Imitação motora e social.
Estágio Categorial: a criança começa a desenvolver as capacidades da memória e atenção voluntárias, dos seis aos onze anos. Se formam as categorias mentais: conceitos abstratos que abarcam vários conceitos concretos sem se perder a nenhum deles. Abstração é amplificada. Raciocínio simbólico se consolida como ferramenta cognitiva.
Estágio da adolescência: a partir dos onze a doze anos, transformações físicas e psicológicas, estágio afetivo, quando o indivíduo passa por conflitos externos e internos. Busca de autoafirmação e desenvolvimento da sexualidade.

Wallon foi o primeiro a levar, não só o corpo, mas as emoções para a sala de aula. Sua proposta põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada, sempre considerando a pessoa como um todo.





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Consciência fonológica

Seguem propostas de atividades para desenvolver a consciência fonológica:



Consciência fonológica pode ser entendida como um conjunto de habilidades que vão desde a simples percepção global do tamanho da palavra e de semelhanças fonológicas entre as palavras até a segmentação e manipulação de sílabas e fonemas (Bryant & Bradley, 1985). A partir da leitura dos textos, apresento algumas atividades que podem desenvolver a consciência fonológica:
1.                       Entregar para as crianças uma folha contendo imagens. Ao lado de cada uma delas, solicita-se que escrevam a primeira letra correspondente à inicial de capa imagem:

   

2.                       A partir do poema “Roda na rua” de Cecília Meirelles, confeccionar um cartaz dando destaque para a letra “R”. Após isso, entregar para cada um aluno o poema impresso, solicitando que pintem a letra que se repete.
Na sequência, pedir que escrevam uma relação de palavras que contém a letra R, pode ser no início, meio ou fim de cada palavra.


3.                       Propor uma brincadeira com rimas que aconteceria da seguinte forma:

· A professora canta: “Pico, picolé que sabor tu quer?” Daí a criança que está ao seu lado responde: “morango”. A partir disso, a profe propõe que, a cada sílaba, se bata uma palma. MO – RAN- GO
· Então parte para a próxima criança que está ao seu lado que repita a cantoria, mudando-se apenas a escolha do sabor do picolé. “pico picolé, que sabor tu quer?” “Limão”. LI-MÃO.


4.                       A partir de uma ficha contendo imagens, propor a exclusão de uma sílaba, formando, com isso, novas palavras:

GALINHA - GA:  ____________________________________    (LINHA)

 CAMISA - MI : __________________________________________   (CASA)

BONECA - CA:  ________________________________________ (BONÉ)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Inovações pedagógicas




As inovações pedagógicas surgiram, com o passar dos anos, a fim de facilitar, tornar as relações e o aprendizado ainda mais fácil, acessível e eficiente. Antigamente, as aulas, por exemplo, eram extremamente tradicionais e contavam apenas com: giz, quadro negro e intervenção da figura do professor.  Gradativamente, foram sendo implementadas novas formas, novos meios e instrumentos: calculadoras, computadores, internet, data-show, entre outros.

É importante destacar que as novas tecnologias não fizeram parte apenas das instituições escolares, mas também acabou por transformar a vida familiar, social, comercial e industrial. A forma de comunicação, por exemplo, se efetiva de modo extremamente rápido, as informações se difundem numa velocidade anteriormente inimaginável. Entretanto, ainda é preciso utilizar esses recursos de modo mais positivo e benéfico.

Voltando ao ambiente escolar, as mídias poderiam e deveriam ser melhor aproveitadas. Pesquisar, comparar, descobrir, saber lidar com muitos desses recursos ainda é um desafio, tanto para alunos, quanto para professores. Penso que evoluímos em vários aspectos, mas ainda é preciso trazer para dentro das escolas, a tecnologia a nosso favor.

Avaliar: é importante???


A avaliação não é destinada a medir, mas sim, a diagnosticar os “problemas”, as lacunas deixadas durante o processo educativo. Deve ocorrer durante toda a trajetória, todo o percurso. Toda aula, todo dia, toda fala e toda participação devem ser avaliados, percebendo o que ainda deve ser enfatizado, exemplificado e esmiuçado a fim de que o aprendizado se efetive de maneira concreta e significativa ao aluno.
Segundo Souza o método tradicional é discriminatório sendo que os socialmente favorecidos contam com vantagens para prosseguir nos estudos e os de classes sociais inferiores, acabam por ficar aquém dos processos de educação.

Avaliação Mediadora: o aluno é visto com individualidade, valorizam-se  instrumentos de avaliação, para que sejam um meio para tornar o processo de aprendizagem mais efetivo. A todo o instante há intervenções, tanto do alunos para com a educadora e vice-versa. Segundo Ferreira, avaliar é proporcionar ao aluno que crie algo novo, questionando o que já foi visto. 

Posição reducionista da avaliação escolar: A avaliação é considerada o fim do processo. O “ensino-aprendizagem” reduz-se a uma sequência de atos: transmitir, assimilar, memorizar, reproduzir conhecimentos. Os instrumentos avaliativos não problematizadores, contemplando a memorização. A avaliação reducionista ocorre em momentos distintos – trimestre, bimestre, semestre - privilegiando a memorização e valorizando a utilização do instrumento prova ou exame, classificando-o.

 Visão unilateral da avaliação: O aluno é avaliado por todos, baseando-se na avaliação autoritária e centralizadora. O professor detém o poder absoluto. 

Professor e avaliação: O professor orienta o processo de forma participativa, o aluno deixa de ser um simples receptor de conhecimento e passa a ser ativo. O professor facilita, não sendo apenas um transmissor de conhecimento.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Teorias: Piaget - Vygotsky - Chomski - Skinner - Wallon


Quadro de análise estabelecendo uma comparação entre as teorias :
PIAGET
Hipótese Cognitivista
VYGOTSKY
Hipótese Cognitivista
CHOMSKY
Hipótese Inatista
SKINNER
Hipótese Behaviorista
WALLON
·                    Maturação + crescimento orgânico + genética + meio.
·                    Desenvolvimento natural da criança, sendo suas habilidades formadas pela ação/interação entre o organismo e o meio;
·                    A Linguagem é um sistema simbólico de representações;
·                    A comunicação é um processo evolutivo;
·                    Todo o ser humano passa a desenvolver suas habilidades a partir da interação;
·                    A linguagem é influenciada pelo ambiente;
·                    Ser humano nasce com a capacidade de aprender, necessitando apenas de estímulos para desenvolver a linguagem;
·                    Teoria centrada no desenvolvimento natural da criança, as habilidades intelectuais são formadas pela ação/interação entre o organismo e o meio;
·                    Cada criança constrói seu conhecimento, sendo um sujeito ativo;
·                    Impossível dissociar o orgânico do processo de desenvolvimento psicológico da criança;
·                    Educação orientada para a autonomia;

ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO:

# SENSÓRIO MOTOR: (0 a 2 anos)
Percepções sensoriais, reflexos inatos.

# PRÉ OPERATÓRIO: (2 a 7 anos) Linguagem oral, esquema simbólico (palavras).

# OPERATÓRIO CONCRETO: (8 a 12 anos) Noção e conservação do todo, independente do arranjo das partes. Menos egocêntrica.

# OPERATÓRIO FORMAL: (12 anos ou mais) sujeito não precisa manipular objetos para compreendê-los. Formula hipóteses. Pensamento livre da realidade, raciocina logicamente, longe das amarras do concreto.
·                    Aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio;
·                    Ênfase no papel da linguagem e da aprendizagem;
·                    A melhor forma de aprendizagem: interagir, relações interpessoais, construção coletiva. As funções mentais superiores são socialmente formadas: percepção, memória e pensamento:
Mediação: feita por meio da linguagem. Interação: troca com os outros. Internalização: consigo mesma. ZDP: espaço entre o que ela é, o que já sabe sozinha e aquilo que ela tem a potencialidade de ser – o que está próximo, desde que esteja assistida.
·                   Professor é mediador, descobridor da ZDP
·                   implicações da abordagem de Vygotsky para a educação:
1) Valorização do papel da escola;
2) O bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento;
3) O papel do outro na construção do conhecimento;
4) Papel da imitação no aprendizado;
5) O papel mediador do professor na dinâmica das interações interpessoais e na interação das crianças com objetos de conhecimentos.


·                   O sujeito traz sua competência linguística (língua) programada biologicamente;
·                   O sujeito faz uso da sua competência linguística através de uma performance:  fala, também hereditária;
·                   Gerativismo;
·                   Sujeito gera conceitos.
·                    Fala: individual, secundária e criativa;
·                     A aquisição da linguagem precede o desenvolvimento cognitivo;
·                    Estímulo/resposta/reforço,  imitação/experiência;
·                    Regras são para as palavras e não para a fala.
·                    Saussure: língua social, essencial, sistema de signos;
·                    A criança é um receptor passivo da linguagem;
·                    Imitação.

·                    Criança é essencialmente emocional e gradualmente vai se constituindo em um ser sócio-cognitivo;
·                    Postura interacionista;
·                    Processo de aprendizagem é dialético: não postular verdades absolutas, mas revitalizar direções e possibilidades;
·                    Cognição alicerçada em quatro categorias específicas, chamadas CAMPOS FUNCIONAIS:
1º Afetividade;
2º Movimento
3º Inteligência
4º Formação do EU como pessoa;
·                   Processos comunicativos e expressivos acontecem nas trocas sociais, como a imitação;
·                    A proposta Walloniana põe e desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada, sempre considerando a pessoa como um todo;
·                    Estágios de desenvolvimento:
# ESTÁGIO IMPULSIVO-EMOCIONAL: 1.º ano de vida. Emoções.
# ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR e PROJETIVO: 3 meses aos três anos. Mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos. Pensamentos se projetam em atos motores.
# ESTÁGIO DO PERSONALISMO: dos 3 aos 6 anos. Imitação motora e social.
# ESTÁGIO CATEGORIAL: 6 a 11 anos. Memória e atenção voluntárias. A abstração é amplificada.
# ESTÁGIO DA ADOLESCÊNCIA: a partir dos 11, 12 anos. Transformações físicas e psicológicas, busca de autoafirmação e desenvolvimento da sexualidade.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Atividade utilizando a tecnologia digitais

A atividade foi desenvolvida com uma turma de 9.º ano. Já que era o encerramento de um ciclo, optei por criar com eles um livro da turma, para que o mesmo ficasse de lembrança para a vida toda. Tivemos a parceria das  professoras de Língua Inglesa, a qual auxiliou-os na tradução das biografias de cada aluno, uma vez que o relato apareceria em duas línguas. A professora de Artes, por sua vez, ficou encarregada de organizar as fotos da época da infância e outra imagem recente, que foi feita segundo alguns critérios visuais (luz, postura, ...). Os textos que iam sendo produzidos, só poderiam ser encaminhados por mim via e-mail. Após realizados os meus apontamentos, eu reencaminhava a cada um, para que fossem realizados os ajustes necessários. Se houvesse a necessidade, eu fazia um segundo envio, a fim de que o resultado fosse bom.
O livro saiu, inclusive doamos um exemplar para a biblioteca da escola. O trabalho foi exaustivo e envolveu bastante gente, mas valeu a pena, porque ficou muito legal (linguagem verbal, não-verbal, trabalho artístico, texto em inglês e todos os ajustes e alterações foram ocorrendo exclusivamente por e-mail). 
Dois anos após realizado esse trabalho, um dos alunos - infelizmente - faleceu em um acidente de ônibus voltando do Paraguai, em Passo Fundo. A comoção foi geral na cidade e, o texto escrito por esse garoto, foi publicado em no face de alguns colegas e, procurada por um site, contei como o mesmo surgiu. 
Até hoje alguns dos alunos, ao me encontrarem, ainda relembram do livro da turma com carinho e saudosismo. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Atividade - Aquisição da linguagem


A atividade foi realizada com os alunos do 1.º ano do Ensino Fundamental e consistiu na seguinte proposta:
1.        Cada aluno da turma recebeu um livro intitulado “O encontro” de autoria de Michele Iacocca – Editora Positivo, o qual não contém linguagem verbal, mas sim é composto somente de linguagem não-verbal (imagens);
2.        Orientados pela professora, cada aluno precisava folhear toda a obra, analisando as figuras e imaginando como seria a história;
3.        Ao acabar essa etapa, cada um deveria relatar oralmente aos colegas, como seria o enredo;
4.        Cada um, então, teve a oportunidade de expor o seu entendimento. Por diversas vezes, houve a necessidade de interferir, pois todos estavam muito ansiosos para contar aos colegas. Saíram histórias maravilhosas e bastante diferentes, apesar de partirem do mesmo livro e das mesmas figuras;
5.        A professora foi ao quadro e, com a colaboração da turma, escreveu no quadro uma única história, criada coletivamente, a qual, posteriormente, foi digitada, recortada e colada no livro, correspondendo às imagens de cada página.

A partir dos vídeos propostos pela disciplina e dos textos estudados, conclui-se que a linguagem serve para: registrar informações, organizar ação e pensamento, controlar ou influir sobre a conduta dos outros, possibilitar a aquisição de conhecimentos, permitir desprender-se da realidade do cotidiano e possibilitar a integração da criança em seu meio social. Além disso, a teoria de Lev Vygotsky afirmava que o desenvolvimento do indivíduo era resultado de um processo sócio-histórico, com ênfase no papel da linguagem para a aprendizagem. Sua questão central era a aquisição do conhecimento pela interação do sujeito com o meio, sendo que no processo de apropriação cultural, o papel mediador da linguagem é fundamental, tendo importante ´papel na formação do pensamento, compreendida na relação de síntese entre o organismo e ambiente.

domingo, 20 de maio de 2018

Alfabetização de Jovens e Adultos


O texto “Alfabetização de adultos: ainda um desafio” da autora Regina Hara trata, especialmente, das pessoas que se dedicam ao trabalho de alfabetização de adultos. Nele são apontados meios de garantir o direito de escolarização com qualidade para todos, um desafio de ordem política, pois ao mesmo tempo que trabalham com a aprendizagem da leitura e da escrita, procuram ampliar os ganhos de consciência dos grupos populares ao refletir sobre a sua realidade e sobre o seu mundo.
Segundo HARA (1992):
“...os adultos das camadas populares, dentre as adversidades que a sociedade lhes impõe, a questão da escolarização tem peso menor para a sua sobrevivência. Questões como habitação, saúde, emprego, alimentação, transporte, são prioritárias em relação aos processos escolares. Isto significa que os desafios impostos ao trabalho de escolarização popular, nos momentos de crise econômica e social, acabam por ser muito maiores, demandas caem na proporção direta ao empobrecimento da população.

De uma maneira simples e de fácil entendimento, o texto expõe algumas conclusões importantes sobre o ato de alfabetizar adultos, como por exemplo, o fato da evolução da escrita para esses, seguir as mesmas fases - previstas por Emília Ferreiro - para as crianças: pré-silábica, silábica, silábica alfabética e alfabética. Além disso, reflete acerca do preconceito sofrido pelos analfabetos na sociedade onde vivem. Segundo Moacir Gadotti: “a alfabetização é libertação humana, é ter a possibilidade de construir um mundo diferente”.
São apresentadas algumas maneiras de trabalhar as diferentes linguagens nesse processo de resgatar a visão de mundo, os sonhos e desejos que cada indivíduo tem ao retornar aos bancos escolares a fim de aprender, decifrar e partilhar o saber socialmente acumulado nas diferentes áreas. São alguns deles: teatro, confecção de cartazes, trabalhos com argila, vídeos, desenhos, entrevistas e observação permanente e minuciosa do mundo de que são partes integrantes.
Assim como todas demais modalidades de ensino devem entender que a escola não está à margem da sociedade, mas sim: é a sociedade, os alunos devem participar, não sendo seres passivos de seu processo de aprendizagem. A partir dos problemas e acontecimentos que ocorrem em suas comunidades, chega-se então às situações educativas, que levarão aos temas geradores, que provocarão, gerarão, uma melhor e mais aprofundada compreensão do contexto onde estão inseridos.
Paulo Freire afirma: “Aprendemos a vida toda”. Assim sendo, urge entender os “erros” cometidos pelos educando, como um momento de acerto, como uma possibilidade, pois o processo de aprendizado é dinâmico e ativo e deve ser tomado como ponto de partida aquilo que os discentes já conhecem. A aquisição da leitura pode ser um processo auxiliar do desvelamento da realidade.  Alguns dos alunos que frequentam a modalidade EJA: alfabetização apresentam suas razões para alfabetizar-se depois de adultos, sendo algumas delas: assinar o nome, melhorar o emprego, buscar um crescimento pessoal e intelectual.
A leitura desse texto pode e deve provocar, principalmente nos educadores, um incentivo, uma perspectiva de se analisar e de refletir acerca da importância social e política que a alfabetização representa para a sociedade e, em especial, a essas pessoas que, por variados motivos, não tiveram a possibilidade de decifrar o código da escrita em sua infância.


sábado, 19 de maio de 2018

EJA

Um pouco sobre a Educação de jovens e adultos no Brasil

Os alunos que matriculam-se na EJA são pessoas que, conforme as colegas já afirmaram, por vários motivos não tiveram como frequentar uma instituição escolar na idade certa ou então, que frequentavam, mas acabavam evadindo por dar prioridade ao trabalho, por não conseguir "acompanhar", por falta de interesse, estímulo, etc. Embora atualmente, na escola onde trabalho, vejo que as características mudaram muito de um tempo pra cá, porque nessa época, as salas eram repletas de pessoas com maior idade, 35, 40, 50 e até mais. Neste ano, constato que as turmas são formadas - em sua maioria - por alunos que estão entre a faixa etária de 18 a no máximo 25, com raras exceções. O principal motivo que os leva aos bancos escolares são exigências dos empregadores, ou então para conseguir vagas no SENAI - o qual só aceita alunos que estejam frequentando o Ensino Médio (regular ou EJA).

As maiores dificuldades são: conciliar trabalho e escola, acreditar que a educação realmente pode mudar as suas vidas - pois observo que muitos desses alunos não têm a perspectiva de uma vida melhor, de evoluir intelectual ou socialmente no futuro. Além disso, alguns conteúdos/disciplinas ainda não fazem sentido para algumas pessoas. 

Com relação à heterogeneidade dos grupos, penso que pode provocar muitas reflexões e aprendizagens, pois é por meio do convívio com o diferente que passamos a conhecê-lo e podemos trocar ideias, mudar concepções, perspectivas e argumentar acerca do que cada um sabe, pensa, vive e concebe sobre o "seu" mundo. Muitas discussões podem surgir, mas creio que, quando o grupo está engajado, buscando um aprendizado significativo e, acima de tudo, quando são acompanhados por professores comprometidos com o seu fazer pedagógico, muitas conquistas podem surgir.  

Também falo pela minha experiência: trabalhar partindo do que interessa aos alunos, por meio de projetos, trabalhos interdisciplinares, abordando assuntos do cotidiano, solicitando que eles busquem recursos/pessoas/materiais fora da escola para se engajar ao trabalho. Isso surte efeito muito positivo, pois eles se sentem responsáveis, integrantes e participativos no seu processo de aprendizagem. 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Compartimentalização do ensino

Após a leitura dos textos de Hilton Japiassu sobre a compartimentalização dos saberes e da importância do trabalho integrado, “Fragmentação dos processos de produção (Taylorismo & Fordismo) e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” expostas por Santomé seguem algumas reflexões: 
Há muitas relações entre acompartimentalização dos saberes, apresentada por Hilton Japiassu e A fragmentação dos processos de produção e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” trazidas por Santomé.
A teoria Taylorista apresentava uma separação entre “trabalho manual” e “trabalho intelectual”, ou seja, as primeiras deveriam se encarregar de obedecer, produzir, seguir as ordens dos superiores sem pestanejar. A outra parte era encarregada de estudar e planejar o que deveria ser posto em prática. Palavras de F. W. Taylor: “é evidente que precisa-se de um tipo de homem para estudar e planejar um trabalho, e de outro completamente diferente para executá-lo” (Taylor, F. W., 1970, p.53).
Informação relevante também é a de que, com o aparecimento da linha de montagem na indústria automobilística (organização e distribuição das tarefas em uma esteira transportadora criada por Henry Ford (daí o nome fordismo para esse tipo de organização do trabalho) os trabalhadores apenas deveriam se preocupar com o ritmo da esteira, nada mais. Assim percebe-se que as filosofias taylorista e fordista destinam-se a privar a classe trabalhadora de sua capacidade de decisão sobre o próprio processo de trabalho, sobre o produto e as condições de trabalho.
Diante disso, torna-se evidente a semelhança entre tal modelo de trabalho e a fragmentação da cultura escolar, pois ambos perdem suas possibilidades de intervir nos processos dos quais participam. Os estudantes deviam obedecer aos seus professores (os quais também devem obediência hierárquica), assimilar os conteúdos que lhe eram ensinados – mesmo sem relacionar a nada do cotidiano e do contexto em que estavam inseridos, não falar sem permissão, manter a ordem nas filas. Assim como o trabalhador  tinha como foco o seu salário, o aluno vislumbrava a sua nota.
A compartimentalização do ensino é análoga à teoria fordista, pois cada pessoa deve atender apenas uma tarefa, sem ter conhecimento do todo, do global. Não há a “necessidade” de refletir sobre aquilo que se está desenvolvendo, aprendendo, estudando, mas sim, simplesmente fazê-lo.
Foi apenas a partir de meados da década de 70 que começa a surgir a importância do trabalho em equipe. FoiTaichiOhno, engenheiro-chefe da empresa Toyota que revolucionou os até então atuais modelos de gestão e produção. A partir disso, trabalhadores comprometem-se com os interesses da empresa, identificam problemas, sugerem e experimentam formas de favorecer uma produção melhor e com resultados ainda mais expressivos. Na filosofia toyotista, há a flexibilidade horizontal, vertical e de multifuncionalidade.

Houve então, novamente, o reflexo da indústria para a educação, pois as instituições escolares passam a ter o compromisso de formar pessoas com conhecimentos, destrezas e valores seguindo essa nova filosofia econômica. Nas empresas, há a exaltação do operário/trabalhador; nas escolas, os discursos passam a ser sobre a importância decisiva da classe docente. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Piaget e Vygotsky


Aprofundando concepções teóricas, com base em estudos de Jean Piaget e Lev Vygotsky, ler atentamente o texto, assistir ao vídeo e redigir uma SÍNTESE evidenciando as relações entre as duas teorias, quanto ao processo de construção de conhecimento e aquisição da linguagem

AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM SEGUNDO PIAGET

Construtivista, defendia que o desenvolvimento depende da maturação para conseguir adquirir a linguagem, segundo os estádios do desenvolvimento: Sensório motor: 0 a 2 anos. Pré-operatório: 2 a 7 anos – funções simbólicas, desenvolvem a representação de algo, intuitiva, surge a noção de tempo e espaço, não consegue assimilar a mudança das coisas. Operatório concreto: reversibilidade do pensamento, surge a noção de número; Operatório formal: abstração.
Para Piaget, a linguagem é um sistema simbólico de representações, sendo a comunicação um processo evolutivo. Segundo o autor, todo o ser humano passa a desenvolver suas habilidades a partir da interação, ou seja, a linguagem é influenciada pelo ambiente. Todo ser humano nasce com a capacidade de aprender, necessitando apenas de estímulos para desenvolver a linguagem.
A teoria piagetiana é centrada no desenvolvimento natural da criança, sendo suas habilidades formadas pela ação/interação entre o organismo e o meio. Algumas considerações importantes acerca de seu estudo:
·         Cada criança constrói seu conhecimento;
·         Sujeito ativo;
·         Impossível dissociar o orgânico do processo de desenvolvimento psicológico da criança;
·         A interação facilita o processo da aprendizagem;
·         Educação orientada para a autonomia;
·         Maturação + crescimento orgânico + genética + meio.


AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM SEGUNDO VYGOTSKI

Vygotsky defendia o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo histórico-cultural. Para ele a linguagem e o pensamento estão fortemente conectados, sem interação a criança não se desenvolve. A interação ocorre através da linguagem, mediação do indivíduo com a cultura. A melhor forma de aprendizagem: interagir, relações interpessoais, construção coletiva. As funções mentais superiores são socialmente formadas: percepção, memória e pensamento.
·         Mediação: feita por meio da linguagem
·         Interação: troca com os outros
·         Internalização: consigo mesma
·         ZDP: espaço entre o que ela é, o que já sabe sozinha e aquilo que ela tem a potencialidade de ser – o que está próximo, desde que esteja assistida.
·         Professor é mediador, descobridor da ZDP
Algumas implicações da abordagem de Vygotsky para a educação:
·         Valorização do papel da escola;
·         O bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento;
·         O papel do outro na construção do conhecimento;
·         Papel da imitação no aprendizado;
·             O papel mediador do professor na dinâmica das interações interpessoais e na interação das crianças com os objetos de conhecimentos.